“Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão!” (Ex 20,7a).

Acompanhamos, estarrecidos, o vergonhoso espetáculo da apuração realizada domingo passado no plenário da Câmara dos Deputados em Brasília. A maneira como se desenrolou caracterizou-se como profundo desrespeito à nação, e serviu de motivo de chacota para a imprensa internacional.

Não entraremos nos vários aspectos desse intrincado processo. Vamos nos deter apenas sobre um ponto, que apresentamos como reflexão séria, a partir de nossa consciência cristã e cidadã, acerca de como se usou a religião de maneira acintosa.

 

Em primeiro lugar, repudiamos veementemente o modo como não poucos parlamentares invocaram o nome de Deus, da família e da pátria em função de interesses particulares, a partir de sua teologia da prosperidade.

Esse Deus não é o Deus anunciado e revelado por Jesus Cristo. “Nem todo o que me diz, ‘Senhor! Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas quem põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21). Não é com o muito dizer Deus! Glória! Amém! Aleluia! que se presta o autêntico culto de louvor a Deus.

Já dizia Santo Irineu: “A glória de Deus é o ser humano vivo!”. O culto que agrada a Deus é o respeito, o cuidado, a justiça em relação “aos pobres, ao órfão, à viúva, ao migrante”, ou seja, criar condições para uma vida digna para todo o povo, coisa que duvidamos seja a motivação de grande parte de nossos supostos representantes.

Criticamos com muita facilidade o fanatismo e o fundamentalismo de grupos radicais, que estão longe de nós. É necessário abrir os olhos para o fanatismo e o fundamentalismo que estão bem perto de nós.

O Brasil é um Estado laico. Quando interessa, procura-se separar religião de política, desvinculando-se os princípios éticos da prática legislativa.

Num país que ainda se diz de maioria cristã, como podemos ficar calados diante de pretensos pastores que manipulam o Evangelho e usam a boa fé do povo, como lobos travestidos em peles de ovelhas?

O momento nacional é grave. Secundando nossos bispos que, recentemente se pronunciaram sobre a situação do país, também nós, Frades Agostinianos desta paróquia, estamos acompanhando o cenário atual e manifestamos nossa solidariedade e orações aos sofrimentos de nosso povo e convidamos todos os nossos paroquianos para também acompanhar este momento, e “a preservar os altos valores da convivência democrática, do respeito ao próximo, da tolerância e do sadio pluralismo, promovendo o debate político com serenidade (...) Acreditamos no diálogo, na sabedoria do povo brasileiro e no discernimento das lideranças na busca de caminhos que garantam a superação da atual crise e a preservação da paz em nosso país”. Juntos, construamos um país melhor e rezemos todos pela nossa Pátria.

Freis Agostinianos

Paróquia Nossa Senhora da Consolação e Correia

Belo horizonte - MG

Atendimento Secretaria Paroquial
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